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Por ora, a reação do mercado deve ser considerada moderada, dadas as potenciais consequências caso a guerra se prolongue. Os mercados estão assumindo que não haverá nova escalada e que os fluxos de energia pelo Estreito de Ormuz serão restaurados. Essa postura não se baseia em um cálculo preciso, mas na crença de que uma crise prolongada seria contrária aos interesses de todos e de que alguma solução diplomática ainda pode ser encontrada.
Há, naturalmente, sérias dúvidas. O Irã foi atacado duas vezes no último ano durante períodos de negociação, e, após a morte da liderança do país, as esperanças de que o Irã aceitasse as ações dos EUA e de Israel praticamente desapareceram. Uma nova fase de confronto começa a emergir, na qual o Irã tentará forçar a saída dos Estados Unidos da região, atingindo de forma metódica todas as bases militares ao seu alcance.
A Europa está numa posição extremamente perigosa. A situação está bloqueada, e não há espaço para otimismo excessivo. Autoridades do BCE chegaram a admitir a possibilidade de um aumento extraordinário das taxas de juros para combater a inflação, ao mesmo tempo em que pedem cautela nas previsões — é necessária maior clareza. O presidente Donald Trump tentou tranquilizar os mercados à sua maneira habitual, insistindo que está longe de enviar tropas ao Irã, o que, em outras circunstâncias, poderia parecer risível, já que essa opção é praticamente inviável.
Embora o petróleo tenha recuado de uma máxima próxima de US$ 119 por barril para um patamar mais aceitável de US$ 92, ainda é cedo demais para relaxar, mesmo que as reservas estratégicas dos EUA consigam cobrir o mercado apenas por alguns dias.
Partimos do princípio de que, no curto prazo, há poucas chances de o EUR/USD retomar uma tendência de alta sustentada. Qualquer tentativa de valorização, mesmo diante de declarações tranquilizadoras, será provavelmente utilizada como oportunidade para novas vendas.
A posição líquida comprada em euro caiu US$ 3,3 bilhões na semana do relatório, para US$ 19,8 bilhões. Embora o viés de alta ainda seja visível, a tendência de venda do euro se fortaleceu. Isso provavelmente reflete a ameaça de interrupções no fornecimento de energia para a Europa. O preço implícito caiu acentuadamente e, ao menos no curto prazo, a direção dificilmente mudará.
Na nossa análise anterior, esperávamos que a negociação permanecesse em grande parte dentro de uma faixa, enquanto os mercados aguardavam maior clareza. Essa clareza chegou rapidamente — daí a reação do mercado. Enquanto o Estreito de Ormuz permanecer fechado, não se deve esperar que o EUR/USD retome um avanço sustentado. Atualmente, o mercado está precificando um conflito de curta duração, com retomada dos fluxos de abastecimento, de modo que a queda do euro provavelmente será limitada. Assim, é pouco provável que a moeda caia abaixo da banda de suporte de curto prazo em 1,1460/1,1490. As quedas podem retomar caso a escalada se intensifique; inversamente, se surgirem sinais de que a guerra pode terminar, um movimento corretivo de alta é provável. Nesse caso, a resistência imediata deverá ficar próxima de 1,1720/1,1730.