A disparada dos preços do petróleo eleva o risco de recessão nos EUA
Um rali sustentado nos preços do petróleo pode desencadear uma recessão nos EUA ao enfraquecer os gastos dos consumidores e apertar as condições financeiras. Segundo relatório do Wells Fargo, a economia americana está à beira de um choque energético, em meio ao crescimento lento do emprego e à inflação cheia, que deve ultrapassar 3%.
Modelagens indicam que um aumento de 50% nos custos das commodities reduz o gasto real das famílias em cerca de um ponto percentual. Essa dinâmica praticamente anula o efeito dos incentivos fiscais existentes, destinados a estimular a demanda interna.
O relatório aponta o nível de US$ 130 por barril para o Brent como um limiar crítico para a manutenção dos atuais níveis de consumo. Caso os preços globais do petróleo permaneçam nesse patamar por vários meses, empresas e famílias terão de rever planos de investimento e reduzir contratações.
Um choque energético tende a transformar-se em desaceleração econômica se for persistente e se o crescimento da renda das famílias se deteriorar ainda mais. A queda dos salários reais comprime o consumo, o que, por sua vez, leva à redução dos investimentos em capital fixo.
O fato de os EUA serem exportadores líquidos de energia confere alguma resiliência em comparação com países dependentes de importações. No entanto, os ganhos dos produtores e os investimentos em infraestrutura tendem a avançar mais lentamente do que a erosão do poder de compra das famílias.