Retorno da demanda chinesa por petróleo pode desencadear novo choque nos mercados globais
A rápida retomada das importações de petróleo pela China após a reabertura da navegação pelo estratégico Estreito de Ormuz pode se transformar em um novo choque inflacionário para os mercados globais. Esse alerta foi feito pelos economistas da Bloomberg, Chang Shu e David Ku. Segundo eles, o retorno acelerado do maior consumidor asiático aos níveis pré-crise de compras de petróleo ocorrerá em um contexto de forte escassez de oferta.
Os analistas destacam que a recuperação da produção no Oriente Médio e a normalização das cadeias de exportação exigirão tempo, o que torna improvável uma queda significativa dos preços globais da energia no curto prazo.
A forte demanda de Pequim, após vários meses de retração forçada das importações, poderá gerar um desequilíbrio expressivo nos mercados de commodities. Os especialistas da Bloomberg observam que, caso a China passe a adquirir agressivamente os volumes disponíveis para recompor seus estoques reduzidos, os preços internacionais de referência do petróleo poderão registrar uma nova disparada. Esse cenário representaria um duro golpe para os esforços das economias ocidentais de conter a elevação dos custos industriais.
Uma nova alta dos preços do petróleo inevitavelmente intensificaria as pressões inflacionárias globais. Ao mesmo tempo, a inflação já permanece elevada em razão da prolongada instabilidade geopolítica. Os analistas da Bloomberg concluem que esse fator poderá forçar os principais bancos centrais do mundo a reavaliar suas estratégias de política monetária. Em caso de uma nova onda inflacionária, o Federal Reserve, o Banco Central Europeu e o Banco da Inglaterra poderão ser obrigados a adiar a tão aguardada transição para cortes de juros, mantendo condições monetárias restritivas por mais tempo.